sábado, 8 de setembro de 2007

Introdução ao Segundo Capítulo

«Each Atom
Sings to me
“Set me Free
From chains of the physical”»
Steve Conte, The Garden Of Everything

Caindo, caindo, caindo… Mergulhando na escuridão; as sensações de frio e calor a lamberem a pele como estreitas correntes.
Ao abrir os olhos, o mundo das possibilidades apresenta-se a ele. O Plátano viçoso continua exactamente igual e ao seu lado uma pedra, grande e lisa, aparenta estar colocada de forma a convidá-lo a sentar-se.
Ele senta-se e sente o cheiro húmido da terra.
(- Se tudo isto é real e, se a realidade é o mundo em que vivo acordado, como pode ser possível que estas duas realidades vivam em comunhão? Só eu vejo, sinto e estou neste mundo, e, nele o Salvador, meu irmão. Temos uma ligação tão forte que a própria morte não quebrou.)
O ritmo do coração, acelerado pelo pensamento que ele teve do seu irmão e de que este poderia estar por perto, obrigou-o a concentrar-se na textura da arvore, nas sensações de dureza da pedra e nos pequeninos tufos de erva verdejante que brotavam junto ao tronco da arvore.
(- Se o sonho que tenho agora é real, se o vejo intersectado com o mundo em que acordo, então mais pessoas poderão vê-lo. Porque não tentar mostrar-lhes?)
Levantando-se, leva as mãos ao cabelo e apanha-o, ficando apenas duas madeixas soltas a meia face.
(- Se tudo isto é um sonho, então este será o mundo em que tudo será possível.).
"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como uma bola colorida
entre as mãos de uma criança."
António Gedeão, A Pedra Filosofal

Art Work by Ritchie