Esta pequena história de ficção é apenas uma das
pequenas historias que de algum modo estão ligadas ao livro que estou a escrever
de ficção científica... Aguardem mais histórias... Elas condensaram aos poucos a
história central...
"No ano de 1900 no Egipto, houve um grande burburinho devido a axados (artefactos) de grande importância histórica. Sepulturas encontradas com fino mobiliário, jóias para todas as partes do corpo…
No entanto, será que todos esses objectos foram trazidos para os olhos do povo? Estes objectos misteriosos, antigos, com mais valor que o seu próprio peso em ouro não poderão ter sido alvo dos olhos gananciosos de saqueadores ou até dos próprios arqueólogos? Com certeza que sim. Muitos objectos nunca foram conhecidos publicamente.
O que esses ladrões de sepulturas não sabiam, era que estavam a cumprir o destino.
“Pobres daqueles que se deixam embrulhar nas suas teias…”
Inglaterra:
- Querida, voltei! – Robert chega a casa após uma jornada no Egipto como arqueólogo. Tem 50 anos de idade e uma pança que ameaça constantemente faze-lo tombar para a frente.
- Oh! Querido, regressaste! – a sua mulher, Jullie deu-lhe um beijo forçado no canto da boca. Jullie é uma mulher notavelmente elegante e bastante mais jovem que o seu marido.
- Diz-me querido, como foi a viagem? – os dois entram na sala e acomodam-se no sofá, Robert coloca as malas de viagem de lado do sofá.
- Horrível! – Fazendo cara de enjoado, Robert tira um lenço do bolso de dentro do seu casaco poeirento para limpar o suor da testa, - viagens de barco nunca mais…
- AH! – Jullie solta um guincho de espanto interrompendo o marido – Que mala grande que tens aí! Não me digas… Trouxeste-me um presente… - diz a mulher fitando o marido colocando-se numa posição muito elegante deixando o decote, do seu vestido floreado, mais descaído que o normal para a época, de frente para o seu marido.
- Sim, trouxe, está na mala, embrulhada num pano de seda egípcia. – Robert pegou na mala e chegou-a para perto da sua esposa – Tem cuidado, tenho aí objectos delicados.
- Jullie apressou-se a retirar o seu presente da mala. Pega num objecto com um formato estranho, aparentemente com dois discos um perpendicular ao outro, e coloca-o sobre o colo.
Ao desembrulhar o presente Jullie não solta nem um som…
- Então? O que achas? Minha… - Robert aproxima-se de Jullie tentando ser elegante – Minha rainha…
Jullie não consegue desviar os olhos de tal objecto como se estivesse enfeitiçada por ele. A luz que irradia de tal objecto é absorvida pelos olhos negros de Jullie como se ela quisesse fazer parte deste.
- É magnifica! Onde… Como… - Jullie não consegue construir uma frase correctamente devido ao tremendo espanto.
O seu marido oferecera-lhe uma coroa. Coroa comum disco solar e diversos animais a sair do aro circular para colocar na cabeça: cão, crocodilo, porco, asno, escorpião, hipopótamo e no centro tinha a cabeça de um animal desconhecido de aparência orelhuda e nariguda com pedras translúcidas cravadas no lugar dos olhos.
Jullie pedi para de ausentar e subiu para o quarto exageradamente grande mandado construir assim pelo seu marido.
Já é noite cerrada e Jullie está à frente do espelho do quarto, com a luz amarela de uma vela vinda da sua direita. Os seus olhos brilham com o reflexo da coroa parecendo estar possuída. A mulher solta os seus longos cabelos negros que lhe dão pelas coxas, um cabelo exageradamente grande para a época, mas Jullie tem um grande prazer em tudo o que pudesse ser melhor que das outras esposas.
Com cuidado vira a coroa de modo a ficar pronta a colocar. Ela eleva a coroa lenta e subtilmente acima do nível da cabeça em frente ao espelho apreciando todos os momentos do ritual e por fim coloca-a com os seus olhos a brilhar mais ainda.
Robert está a apreciar os pormenores dos objectos que trouxe da sua jornada e do nada ouve um misto de grito de desespero e gargalhadas. Ele corre pela escada acima e entra no quarto. Jullie está deitada no chão em posição fetal em frente ao espelho como se se estivesse a proteger de algo. Quando Robert se aproxima de Jullie, ele dá um salto para trás… Jullie está morta de olhos abertos e com toda a sua pele enrugada apresentando uma velhice avançada pelo tempo que nunca passou.
Mais tarde um médico examinou-a e chegou à conclusão que Jullie morreu de velhice. Robert não revelou o presente por ele oferecido devido ao facto de que a coroa havia desaparecido.
O arqueólogo desfez-se de todos os artefactos que tinha trazido do Egipto pensando estarem amaldiçoados…
Robert é encontrado morto em sua casa sete dias após a morte da sua esposa, assim como todos os espelhos da casa partidos."
Vasco F. Ribeiro - Texto original -
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6.05H