sexta-feira, 2 de junho de 2006

Antapódosis Primariu

Esta pequena história de ficção é apenas uma das
pequenas historias que de algum modo estão ligadas ao livro que estou a escrever
de ficção científica... Aguardem mais histórias... Elas condensaram aos poucos a
história central...
"No ano de 1900 no Egipto, houve um grande burburinho devido a axados (artefactos) de grande importância histórica. Sepulturas encontradas com fino mobiliário, jóias para todas as partes do corpo…
No entanto, será que todos esses objectos foram trazidos para os olhos do povo? Estes objectos misteriosos, antigos, com mais valor que o seu próprio peso em ouro não poderão ter sido alvo dos olhos gananciosos de saqueadores ou até dos próprios arqueólogos? Com certeza que sim. Muitos objectos nunca foram conhecidos publicamente.
O que esses ladrões de sepulturas não sabiam, era que estavam a cumprir o destino.

“Pobres daqueles que se deixam embrulhar nas suas teias…”


Inglaterra:
- Querida, voltei! – Robert chega a casa após uma jornada no Egipto como arqueólogo. Tem 50 anos de idade e uma pança que ameaça constantemente faze-lo tombar para a frente.
- Oh! Querido, regressaste! – a sua mulher, Jullie deu-lhe um beijo forçado no canto da boca. Jullie é uma mulher notavelmente elegante e bastante mais jovem que o seu marido.
- Diz-me querido, como foi a viagem? – os dois entram na sala e acomodam-se no sofá, Robert coloca as malas de viagem de lado do sofá.
- Horrível! – Fazendo cara de enjoado, Robert tira um lenço do bolso de dentro do seu casaco poeirento para limpar o suor da testa, - viagens de barco nunca mais…
- AH! – Jullie solta um guincho de espanto interrompendo o marido – Que mala grande que tens aí! Não me digas… Trouxeste-me um presente… - diz a mulher fitando o marido colocando-se numa posição muito elegante deixando o decote, do seu vestido floreado, mais descaído que o normal para a época, de frente para o seu marido.
- Sim, trouxe, está na mala, embrulhada num pano de seda egípcia. – Robert pegou na mala e chegou-a para perto da sua esposa – Tem cuidado, tenho aí objectos delicados.
- Jullie apressou-se a retirar o seu presente da mala. Pega num objecto com um formato estranho, aparentemente com dois discos um perpendicular ao outro, e coloca-o sobre o colo.
Ao desembrulhar o presente Jullie não solta nem um som…
- Então? O que achas? Minha… - Robert aproxima-se de Jullie tentando ser elegante – Minha rainha…
Jullie não consegue desviar os olhos de tal objecto como se estivesse enfeitiçada por ele. A luz que irradia de tal objecto é absorvida pelos olhos negros de Jullie como se ela quisesse fazer parte deste.
- É magnifica! Onde… Como… - Jullie não consegue construir uma frase correctamente devido ao tremendo espanto.
O seu marido oferecera-lhe uma coroa. Coroa comum disco solar e diversos animais a sair do aro circular para colocar na cabeça: cão, crocodilo, porco, asno, escorpião, hipopótamo e no centro tinha a cabeça de um animal desconhecido de aparência orelhuda e nariguda com pedras translúcidas cravadas no lugar dos olhos.
Jullie pedi para de ausentar e subiu para o quarto exageradamente grande mandado construir assim pelo seu marido.
Já é noite cerrada e Jullie está à frente do espelho do quarto, com a luz amarela de uma vela vinda da sua direita. Os seus olhos brilham com o reflexo da coroa parecendo estar possuída. A mulher solta os seus longos cabelos negros que lhe dão pelas coxas, um cabelo exageradamente grande para a época, mas Jullie tem um grande prazer em tudo o que pudesse ser melhor que das outras esposas.
Com cuidado vira a coroa de modo a ficar pronta a colocar. Ela eleva a coroa lenta e subtilmente acima do nível da cabeça em frente ao espelho apreciando todos os momentos do ritual e por fim coloca-a com os seus olhos a brilhar mais ainda.
Robert está a apreciar os pormenores dos objectos que trouxe da sua jornada e do nada ouve um misto de grito de desespero e gargalhadas. Ele corre pela escada acima e entra no quarto. Jullie está deitada no chão em posição fetal em frente ao espelho como se se estivesse a proteger de algo. Quando Robert se aproxima de Jullie, ele dá um salto para trás… Jullie está morta de olhos abertos e com toda a sua pele enrugada apresentando uma velhice avançada pelo tempo que nunca passou.
Mais tarde um médico examinou-a e chegou à conclusão que Jullie morreu de velhice. Robert não revelou o presente por ele oferecido devido ao facto de que a coroa havia desaparecido.
O arqueólogo desfez-se de todos os artefactos que tinha trazido do Egipto pensando estarem amaldiçoados…
Robert é encontrado morto em sua casa sete dias após a morte da sua esposa, assim como todos os espelhos da casa partidos."
Vasco F. Ribeiro - Texto original -
não são autorizadas cópias.
Hora Real da Postagem
6.05H

6 comentários:

Fénix disse...

Todas as perguntas sobre esta história serão bem vindas assim como as criticas e/ou elogios.
P.S.: Tenham em conta que não sou escritor só tenho o 12º em Português B... LOL ;0)

Ritchie disse...

As perguntas são várias, os sentimentos também...eu sou um pouco suspeito de comentar pois tudo aquilo que venha da tua parte tem para mim um carinho e gosto especial inatos, no entanto, abstraindo-me desse tipo de coacção psicologica da minha parte (e até porque devemos de o fazer pois não podemos abordar tudo pelo lado bom só porque gostamos da outra pessoa, já que isso não a faz evoluir).
Gostei bastante de todo o texto e não tenho nada para lhe apontar pois ele é como que a sinopse de todo um trabalho bem mais complexo que esta para vir. Só depois poderei fazer a devida critica com a exactidão que pretendes.
Mais uma vez sou suspeito para falar do que escreveste pois parece que acertaste no tema e na situação em si que eu adoro, é uma temática que me agrada muito e que nos consegue transportar para várias situações... já imaginava o cenario egipcio, os linhos, os chapéus de descobridor, as botas, os papiros, as piramides em toda a sua grandiosidade e magnificência, a casa do casal com um estilo rustico/elegante com chão de madeira com cor quente, grandes tapessarias persas, plantas de grandes folhas e grandes janelas de madeira brancas entreabertas que deixam os leves cortinados esvoaçar dentro do espaço onde se apresentam varios artefactos e antiguidades de expedições que robert fez.
Depois, penso na história em si e na água na boca que me deixou...o que a teria morto? porque teria morrido ele 7 dias depois? que ligação tem isso com os espelhos? seria isso a manifestação da libertação da maldição aprisionada e agora consumada? seria a maldição do faraó que libertava a sua ira ao ver os seus pertences usurpados e manipulados por uma outra pessoa não merecedora que provocou as suas mortes? ... foi castigo divino? terá uma explicação lógica e racional? as perguntas são de facto muitas, mas o principal está lá... a captação do leitor, eu fui apanhado nesta historia, e agora? para quando a sua continuação...esperemos que para breve.
Cada vez me deixas mais orgulhoso e estou seguro que aos nossos amigos também...já nos estou a imaginar numa viagem ao egipto afim de fazeres fotografias para ilustrares o livro...nós perdidos nas lojas a fumar cachimbos e a comprar uma catrefa de coisas e tu a trabalhar k nem um mouro para o teu projecto... gosto de acreditar que se realizará, nem k seja daqui a 50 anos (fazemos assim, vamos ao baile das camélias, sentamo-nos no banco como combinado e nessa altura logo vemos o que fizemos e o que não fizemos) o mais importante de tudo é que sei que nos manteremos unidos sempre...
Aquele abraço forte e sentido.

Eli disse...

Ora...

E só comecei a ler...

Mas, depois volto!

Mas posso falar do novo visual! Está muito lindo!

:)

Ritchie disse...

boa Eli... de tão empolgado que fiquei com o texto em si esqueci-me de falar no novo template, eu gustava do outro... mas também gustei batante deste, é mais a tua cara, menos standartizado... sei que ainda irá ficar bem melhor pois não te ficarás por aqui.

Fénix disse...

Ritchie: Obviamente que não ficarei por aki... quanto às perguntas que fazes... saberás a devido tempo... ;) Sim... Esta historia tem muito misterio... Mas nao estiveste muito perto das razões das mortes... ;)
Eli: Bigado pela tua visita... O look continuará a mudar lentamente... ;)

Andreia disse...

muito boa a historia , e sim queremos mais , força nisso amigo , serei uma das que irá querer o livro assinado e com uma dedicatoriazita :P good look e continua o bom trabalho que tens feito com o teu blog .kisses.