Três dias passaram.
Tal como um recém nascido, o Ivo sentia uma enorme necessidade de se manter a dormir e a estar no mundo que agora ganha vida, aos pedacinhos, como uma mente a tomar consciência da sua própria existência. Com o passar do primeiro dia, ele descobriu que as suas roupas naquele mundo mudavam para um estilo completamente diferente do que ele costumava vestir. Trata-se de um estilo com que ele mais intimamente se identifica, desportivo, arrogante, em tons de preto e vermelho. O seu cabelo preto e comprido também tinha tendência a ajustar-se ao seu estilo. Porem, ele não conseguiu transportar mais nada desse mundo para a realidade.
O mundo, a que o Ivo resolveu chamar de Gaia, já que este planeta proporcionava por ele próprio vida, havia sofrido mutações. O tempo parecia correr exponencialmente e a planície do Plátano era agora um pequeno monte extensamente relvado e com uns pequenos molhos de flores espalhadas ao acaso. O Ivo deita-se de braços abertos no relvado irregular à sombra do Plátano. Em Gaia, dias correspondem a horas na Terra, o que deu oportunidade ao Ivo de pensar em como iria explicar à Nisa o que de tão fantástico e estranho lhe tem acontecido.
À noite, pequenos pirilampos agrupam-se e afastam-se, como que dançando ao som de uma melodia exclusiva daquele mundo estranho e mágico, e isso enchia os olhos azuis do Ivo de uma constante admiração e deslumbramento pela natureza, pela sua riqueza e alegria que lhe davam.
Mas chega a hora de acordar, chega a hora de enfrentar uma realidade unilateral, massacrada pelo Homem, mas também chega a hora de partilhar o seu intimo com alguém.
O Ivo acorda, são 11 horas da manhã. Ao ligar o telemóvel pela primeira vez em três dias, recebe algumas mensagens da Nisa. Ela estava preocupada.
“Ivo, não me dizes nada porquê? Fui a tua casa e falei com a tua mãe. Ela diz que agora só dormes e só acordas para comer. O que se passa? Fala comigo! Estou preocupada! Beijinhos, que tudo esteja bem. Nisa”
Ele sente a barriga encolher-se. Nunca tinha ficado tanto tempo sem dizer nada à Nisa e ele sabia que a preocupação dela é genuína e que deveria estar a passar um mau bocado por causa dele. O remorso da sua irresponsabilidade quase que o desmotiva a falar das novidades, mas ele precisa de partilhar um pouco de tamanha alegria.
– (…ou loucura…) – pensa ele, sorrindo.
– Estou?
– Sou eu Nisa.
– Ivo! Seu parvalhão! Não me dizes nada há tanto tempo porquê? Onde estas?
– Desculpa. – Responde ele sorrindo, – Estou em casa e tu?
– Estou em Seteais, com os irmãos Dimas. Eu já te havia falado deles, chegaram de África à dois dias.
– Ah… Falaste? Ok…
– Nunca te lembras de metade do que eu te digo… És impossível! – Repreende ela em tom de brincadeira, – Vem ter connosco! Eles são afáveis e temos tido conversas muito interessantes. Alem disso depois teremos tempo para falar a sós. Agora precisas de apanhar ar!
– OK! Vou tomar um duche e comer qualquer coisa…
– Até já… Beijinhos Ivo.
– Beijos.
Tal como um recém nascido, o Ivo sentia uma enorme necessidade de se manter a dormir e a estar no mundo que agora ganha vida, aos pedacinhos, como uma mente a tomar consciência da sua própria existência. Com o passar do primeiro dia, ele descobriu que as suas roupas naquele mundo mudavam para um estilo completamente diferente do que ele costumava vestir. Trata-se de um estilo com que ele mais intimamente se identifica, desportivo, arrogante, em tons de preto e vermelho. O seu cabelo preto e comprido também tinha tendência a ajustar-se ao seu estilo. Porem, ele não conseguiu transportar mais nada desse mundo para a realidade.
O mundo, a que o Ivo resolveu chamar de Gaia, já que este planeta proporcionava por ele próprio vida, havia sofrido mutações. O tempo parecia correr exponencialmente e a planície do Plátano era agora um pequeno monte extensamente relvado e com uns pequenos molhos de flores espalhadas ao acaso. O Ivo deita-se de braços abertos no relvado irregular à sombra do Plátano. Em Gaia, dias correspondem a horas na Terra, o que deu oportunidade ao Ivo de pensar em como iria explicar à Nisa o que de tão fantástico e estranho lhe tem acontecido.
À noite, pequenos pirilampos agrupam-se e afastam-se, como que dançando ao som de uma melodia exclusiva daquele mundo estranho e mágico, e isso enchia os olhos azuis do Ivo de uma constante admiração e deslumbramento pela natureza, pela sua riqueza e alegria que lhe davam.
Mas chega a hora de acordar, chega a hora de enfrentar uma realidade unilateral, massacrada pelo Homem, mas também chega a hora de partilhar o seu intimo com alguém.
O Ivo acorda, são 11 horas da manhã. Ao ligar o telemóvel pela primeira vez em três dias, recebe algumas mensagens da Nisa. Ela estava preocupada.
“Ivo, não me dizes nada porquê? Fui a tua casa e falei com a tua mãe. Ela diz que agora só dormes e só acordas para comer. O que se passa? Fala comigo! Estou preocupada! Beijinhos, que tudo esteja bem. Nisa”
Ele sente a barriga encolher-se. Nunca tinha ficado tanto tempo sem dizer nada à Nisa e ele sabia que a preocupação dela é genuína e que deveria estar a passar um mau bocado por causa dele. O remorso da sua irresponsabilidade quase que o desmotiva a falar das novidades, mas ele precisa de partilhar um pouco de tamanha alegria.
– (…ou loucura…) – pensa ele, sorrindo.
– Estou?
– Sou eu Nisa.
– Ivo! Seu parvalhão! Não me dizes nada há tanto tempo porquê? Onde estas?
– Desculpa. – Responde ele sorrindo, – Estou em casa e tu?
– Estou em Seteais, com os irmãos Dimas. Eu já te havia falado deles, chegaram de África à dois dias.
– Ah… Falaste? Ok…
– Nunca te lembras de metade do que eu te digo… És impossível! – Repreende ela em tom de brincadeira, – Vem ter connosco! Eles são afáveis e temos tido conversas muito interessantes. Alem disso depois teremos tempo para falar a sós. Agora precisas de apanhar ar!
– OK! Vou tomar um duche e comer qualquer coisa…
– Até já… Beijinhos Ivo.
– Beijos.
*
– Não te esqueças da chave!
– Não, mãe, obrigado!
O Ivo pega na chave para sair e repara que a porta do armário está entreaberta. Ao abrir caem-lhe aos pés os seus antigos patins e respectivo conjunto de protecção (capacete, cotoveleiras, joelheiras e protectores de pulso) da RollerBlade.
– Será que ainda me lembro de todas as manobras?
Pela estrada e pelos passeios; os pombos fugiam assustados à velocidade e destreza com que Ivo se conduzia por entre as árvores da Correnteza. A velocidade, associada à precisão de um desporto que sempre o libertou de tudo, fazem-no sentir que é livre e que pode voar. Passa a Volta do Duche e a Fonte Mourisca a grande velocidade pela estrada alcatroada e no centro da Vila desvia-se astutamente dos estrangeiros, despreocupados e alheios às manobras evasivas do Ivo.
Quase a voar passa pelo hotel Lawrence's, pela pequena cascata e pela Quinta da Regaleira, onde teve que subir, numa fracção de segundos, um banco de madeira, para se poder desviar de um grupo de crianças em visita de estudo. Por fim apanha boleia dos engraçados carros carros turísticos que se assemelham a pequenos comboios cujos vidros estão estampados com motivos florais, e sobe a inclinada estrada até à entrada do palácio.
Os portões do palácio estão, como sempre, abertos. São os portões que o transportam para uma realidade diferente, talvez quase tão perfeita como em Gaia.
– Não, mãe, obrigado!
O Ivo pega na chave para sair e repara que a porta do armário está entreaberta. Ao abrir caem-lhe aos pés os seus antigos patins e respectivo conjunto de protecção (capacete, cotoveleiras, joelheiras e protectores de pulso) da RollerBlade.
– Será que ainda me lembro de todas as manobras?
Pela estrada e pelos passeios; os pombos fugiam assustados à velocidade e destreza com que Ivo se conduzia por entre as árvores da Correnteza. A velocidade, associada à precisão de um desporto que sempre o libertou de tudo, fazem-no sentir que é livre e que pode voar. Passa a Volta do Duche e a Fonte Mourisca a grande velocidade pela estrada alcatroada e no centro da Vila desvia-se astutamente dos estrangeiros, despreocupados e alheios às manobras evasivas do Ivo.
Quase a voar passa pelo hotel Lawrence's, pela pequena cascata e pela Quinta da Regaleira, onde teve que subir, numa fracção de segundos, um banco de madeira, para se poder desviar de um grupo de crianças em visita de estudo. Por fim apanha boleia dos engraçados carros carros turísticos que se assemelham a pequenos comboios cujos vidros estão estampados com motivos florais, e sobe a inclinada estrada até à entrada do palácio.
Os portões do palácio estão, como sempre, abertos. São os portões que o transportam para uma realidade diferente, talvez quase tão perfeita como em Gaia.
Aqui fica a continuação do nosso e-book... Espero que gostem. Desta vez quero que participem activamente com criticas construtivas, coisas que devo alterar, melhorar, manter, assim como ideias para a continuação do segundo capitulo: descrições dos irmãos, de Seteais et cetera.
Obrigado!