Nos últimos tempos temos sido confrontados com um dilema que, ao que parece, está a chegar ao fim: despenalização do aborto – Sim ou Não?
Quantas vezes já foi massacrado com esta pergunta: “És a favor do aborto?”. Bom, se não foi muitas vezes está cheio de sorte. Eu fui varias vezes confrontado com esta questão, em que respondi sempre de acordo com os meus critérios, morais/éticos, mas sempre dando evidência ao meu desconhecimento das leis vigentes.
Acontece que me fartei destas perguntas e respostas sem qualquer rigor e fui pesquisar e informar-me acerca deste tema. Assim sendo, já conheço a lei em vigor, que, resumidamente, reza assim:
Só é permitido o aborto nos seguintes casos:
- Perigo de morte ou lesão para a saúde física ou psíquica,
- Doença grave ou malformação do feto (até às 24 semanas de gravidez),
- Violação (até às 12 semanas de gravidez).
Um estudo revelou que a maioria das IVG que são feitas legalmente em hospitais públicos são devidas a doença ou malformação do feto, embora a saúde psíquica da mulher pareça não estar a ser levada em consideração de acordo com a lei portuguesa. (Não esqueçamos vários hotspots desta questão que dariam mais meia dúzia de posts. Aparentemente existe uma discriminação por parte de alguns médicos pelas mulheres que querem abortar, talvez mesmo devido à função de um medico: dar e recuperar a vida e, não, matar.)
“A lei não está a ser aplicada” – conclui o Partido Socialista – “Uma em cada quatro mulheres já fez, pelo menos, um aborto clandestino.” No entanto quero evidenciar algo muito importante, quem é a favor da IVG não a quer como meio contraceptivo mas sim para evitar mães cada vez mais jovens, partos indesejados, riscos para a psique da mãe… Isso é, de facto, louvável, até certo ponto.
A legalização da IVG até às 10 semanas de gravidez, para quem é a favor, traria vários benefícios: como o aborto é legal as mães são devidamente acompanhadas por alguém especializado e aconselhadas durante todo o processo antes e pós IVG. O que deveria acontecer depois da legalização? Supostamente uma crescente informação e aconselhamento, e a taxa de abortos não ser tão grande como a esperada. Mas eu sou muito céptico em relação a este plano. Não creio que o nosso país esteja a altura dos demais países da U.E. e penso que, sem informação, educação sexual nas escolas e acompanhamento pelo planeamento familiar em primeiro lugar, não devia ser legalizada a IVG. Penso mesmo que é “colocar a carroça à frente dos bois”. Primeiro a educação e a informação, depois as altitudes! Só se deve colocar uma “arma” destas nas mãos de alguém responsável e que se tenha desenvolvido com um sentido de responsabilidade e moral perante a vida e perante os métodos de contracepção que existem.
De resto, a nossa lei está, a meu ver, muito bem adequada aos casos evidentes em que concordo com a IVG.
Quantas vezes já foi massacrado com esta pergunta: “És a favor do aborto?”. Bom, se não foi muitas vezes está cheio de sorte. Eu fui varias vezes confrontado com esta questão, em que respondi sempre de acordo com os meus critérios, morais/éticos, mas sempre dando evidência ao meu desconhecimento das leis vigentes.
Acontece que me fartei destas perguntas e respostas sem qualquer rigor e fui pesquisar e informar-me acerca deste tema. Assim sendo, já conheço a lei em vigor, que, resumidamente, reza assim:
Só é permitido o aborto nos seguintes casos:
- Perigo de morte ou lesão para a saúde física ou psíquica,
- Doença grave ou malformação do feto (até às 24 semanas de gravidez),
- Violação (até às 12 semanas de gravidez).
Um estudo revelou que a maioria das IVG que são feitas legalmente em hospitais públicos são devidas a doença ou malformação do feto, embora a saúde psíquica da mulher pareça não estar a ser levada em consideração de acordo com a lei portuguesa. (Não esqueçamos vários hotspots desta questão que dariam mais meia dúzia de posts. Aparentemente existe uma discriminação por parte de alguns médicos pelas mulheres que querem abortar, talvez mesmo devido à função de um medico: dar e recuperar a vida e, não, matar.)
“A lei não está a ser aplicada” – conclui o Partido Socialista – “Uma em cada quatro mulheres já fez, pelo menos, um aborto clandestino.” No entanto quero evidenciar algo muito importante, quem é a favor da IVG não a quer como meio contraceptivo mas sim para evitar mães cada vez mais jovens, partos indesejados, riscos para a psique da mãe… Isso é, de facto, louvável, até certo ponto.
A legalização da IVG até às 10 semanas de gravidez, para quem é a favor, traria vários benefícios: como o aborto é legal as mães são devidamente acompanhadas por alguém especializado e aconselhadas durante todo o processo antes e pós IVG. O que deveria acontecer depois da legalização? Supostamente uma crescente informação e aconselhamento, e a taxa de abortos não ser tão grande como a esperada. Mas eu sou muito céptico em relação a este plano. Não creio que o nosso país esteja a altura dos demais países da U.E. e penso que, sem informação, educação sexual nas escolas e acompanhamento pelo planeamento familiar em primeiro lugar, não devia ser legalizada a IVG. Penso mesmo que é “colocar a carroça à frente dos bois”. Primeiro a educação e a informação, depois as altitudes! Só se deve colocar uma “arma” destas nas mãos de alguém responsável e que se tenha desenvolvido com um sentido de responsabilidade e moral perante a vida e perante os métodos de contracepção que existem.
De resto, a nossa lei está, a meu ver, muito bem adequada aos casos evidentes em que concordo com a IVG.
Anexo: Uma opinião à parte disto tudo é o não concordar e achar horrível a guerra que se está a formar entre os dois lados da moeda. Penso que a maioria das pessoas nem está consciente das leis que existem e isso deve-se à falta de informação. Portugal é um país de ignorantes* e só quando o deixar de ser é que tais leis deveriam ser aprovadas.
*País de ignorantes – porque o governo assim nos faz.
Até mais ver, peço desculpa pela redução de assiduidade no blog.
7 comentários:
Em primeiro lugar tu focas aqui uma questão na qual já havia pensado mas como nunca ninguém havia tocado nela, e visto isto ser um tema tão delicado, não me atrevi a entrar nesse campo pois seria uma nova batalha e eu estou cansado de ter de explicar todo o meu ponto de vista ás pessoas estéricas que não vêem mais nada do que a sua opinião, por vezes tacanha.
Eu sou, pessoalmente, contra o aborto, é uma situação que para mim é inconcebível e uma decisão com a qual me seria bastante difícil lidar... não sou das pessoas que dizem «há! aquilo ainda não era nada».
O nada que se esperarmos nove meses seria o filho de alguém... mas enfim!
Aparte a minha questão pessoal eu penso que em assuntos como este deveremos olhar mais além do nosso pequeno umbigo, tem de se tomar em conta todo o contexto de uma situação e não apenas aquilo que nós achamos.
Nem sempre um presidente toma as decisões que mais lhe agradam mas sim as decisões que julga serem melhores para a nação (não estou obviamente a falar de nenhum dos dirigentes de uma qualquer nação do nosso planeta, isto não é como o "Commander in Chief" do people and arts, no mundo real a utopia, infelizmente, não pegou)
Quero com isto dizer que: embora seja contra, votaria a favor no referendo da IVG pois todos nós sabemos que sempre se fez, sempre se fará e o quanto são colocadas vidas em risco pelas condições de certos carniceiros e parteiras desqualificadas e quem recorrem...
O facto de a lei existir não irá obrigar a quem é contra que o pratique mas possibilitará a quem é a favor fazê-lo com a dignidade que merece ter e com o respeito que teremos de conferir à decisão de cada um...
Nesta altura aplica-se aquilo que por inumeras vezes pensei mas que nunca havia discutido publicamente senão agora que tu levantas o véu dessa situação... e se a IVG for despenalizada? o que sucederá?
Concordo plenamente contigo em tudo o que dizes, sinto que é uma arma poderosa demais para que seja utilizada sem manual de instrucções e, vamos convir, que o manual que chegou ao nosso país chegou em russo e só uma pequana parte da nossa população o entenderá convenientemente.
Pelo que tristemente vejo nos dias de hoje, acredto piamente que a taxa de abortos iria aumentar exponencialmente e que se verificariam muitos deles como método contraceptivo, permitido pelo governo ainda por cima... o que me leva de novo a pensar a minha opiniao... se o referendo fosse hoje a minha opinião seria a mesma mas não sei se de facto votaria a favor... acho que devemos de permitir que os outros tomem as decisões que pretendem mas que as façam de modo consciente, o que sem a devida informação não acontecerá.
Esperemos que o nosso governos se aperceba disso e começe por mudar o seu modo de acção e de sensibilização para este caso antes de nos colocar sobre novo referendo.
Quero uma livre escolha neste caso para quem pretende fazer um abroto, mas não me quero sentir culpado ao saber que permiti com o meu voto (ainda por cima contrário ao meu dogma) devaneios e irresponsabilidades por parte de miudas e miudos mal informados... até pelas consequencias físicas e psicológicas que isso trará já que a ser tomada a decisão de interrupção, que seja feita de modo ponderado!
espero ter sido proveitosa a minha opinião sobre o tema e que tenha focalizado todos os aspectos importantes que pretendias ver falados com o teu post.
Aquele abração.
Embora tenhamos partido de ideias diferentes temos a mesma opinião. :) Ha mais questoes a por em evidencia que simplesmente abortar ou nao. Obrigado pelo comment. Um Gande Abraço!!!!
Que complexo assunto.
Qualquer dia, por este andar, vai-se exigir fiador para o acto de procriar. E, aí, aparece um legislador, um médico, um psícologo ou um político a atestar que a senhora «X» reúne as condições exigidas para a função materna. O resultado está à vista....
Abraço
Paulo
bom... depois do nosso «amigo taxi» escrever podemos ir todos para casa.
o post está muitissimo bem apresentado pois tem a parte subjectiva da tua opinião aliada à parte concreta da legislação em vigor que muitos parecem desconhecer quando nos decidem brindar com a sua opinião.
mas pronto. este rapazito que te comenta de facto fá-lo com uma mestria que eu gostava de poder ter - e nunca terei - pois o seu talento é inato e aliado ao seu bom senso permitiu expor uma opinião muito bem extruturada com base no teu texto de grande interesse e qualidade.
em relação a médicos serem médicos para dar vida e não matar. há que encarar este procedimento como uma outra qualquer operação, de modo frio e objectivo, pois o seu sucesso implicará a vida da paciente ou o seu insucesso a sua morte. há que ver para lá do feto neste caso pois de facto todos prefeririamos trazer uma criança ao mundo mas a escolha não é nossa e cabe-nos a nós sermos profissionais sem que tenhamos juizos de valor que possam prejudicar as intervenções (eu penso assim meu querido, e falo apenas por mim e por como acho que deveria ser)
quanto ao «senhor eterno» foi pena ele só ter dado a opinião no sentido futurista e irreal para a nossa situação actual e não tenha pegado em nada concreto do que havia sido descrito no texto. mas lá está, o comentário dele foi de taxi!
muitos parabéns pela postagem de interesse e parabéns também a quem comentou devidamente um assunto delicado destes do qual eu compartilho opinião semelhante.
espero que tenhas mais opiniões e que as pessoas não se amedrontem de dizer algo diferente do que aqui foi escrito. quanto mais não seja para dizer que pensavam assim e agora depois disto já não pensam tanto assim.
Eu sou a favor da IVG e da sua legalização.
Quanto as consequencias que a legalização vai trazer, nomeadamente a procura da IVG como método contraceptivo, não me preocupam.
O processo é altamente traumatizante e não me parece, por mais que as mentalidades mudem, que uma mulher faça mais que uma por vontade propria, até porque não é saudavel. Muito menos a aconselharia a uma filha de a fazer.
Depois a sociedade em geral condena e as mulheres que a fizerem serão olhadas com descriminação. E enquando a fazem na clandestinidade, é uma minoria de pessoas que fica a saber, não há tanta exposição.
Para além disso, as mulheres devem ser avaliadas antes. Mesmo que a informaçao neste momento seja pouca e as mulheres (principalmente mais novas) sejam um pouco ignorantes em relação ao assunto, é da responsabilidade de quem trata do caso assegurar-se de que a paciente seja instruida e que o faça de plena consciencia.
Beijinhos
Actaulamente ha um problema, mesmo com a legislação em vigor, parece haver falta de acompanhamento para quem quer abortar legalmente peki... Isso é um grande problema porque todos queremos o sim em determinadas condições, condições essas que podem nao ser criadas, daí eu jogar pelo seguro. Obrigado a todos pela visita! :D Obrigado Luis pelos comments aqui e no Liminality!
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